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Notícias > Outubro 2012

Doenças dos citros controladas por mudas de qualidade

Entre as principais doenças que atingem a citricultura, estão as várias viroses, como tristeza, sorose, exocorte, xiloporose, dentre outras. Já as bacterioses são destacadas pelo Cancro cítrico, Clorose Variegada dos Citros e, a mais recente e preocupante, Greening, além de inúmeras doenças fúngicas

Entre os principais males da citricultura atual, estão as doenças causadas por vírus e bactérias, que não apresentam controle químico eficiente. Elas atacam principalmente o sistema vascular da planta, além de causarem danos e/ou depreciações nos frutos e demais órgãos da planta.

Segundo o doutor e professor da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), Paulo Vitor Dutra de Souza, a qualidade das mudas é essencial, pois as doenças viróticas e bacterianas devem ser prevenidas, ou seja, deve-se impedir a entrada delas no pomar ou no viveiro. “E a principal maneira de prevenção à entrada dessas doenças é a produção e/ou aquisição de mudas livres de pragas e doenças, principalmente as viróticas e bacterianas”, justifica.

Regulamentação

A produção de mudas cítricas é regulamentada por lei, visando a permitir aos fiscais autuarem os viveiristas infratores que produzem mudas de baixa qualidade genética e sanitária. Para Paulo Vitor, a regulamentação é uma forma de forçar a melhoria da qualidade das mudas ofertadas no mercado.

“A aquisição de mudas certificadas é a garantia de que a muda comprada realmente é da variedade desejada, além da de que está livre das viroses e bacterioses prejudiciais aos citros”, pontua o professor.

Produção de mudas em viveiros telados

A produção de mudas em viveiros telados inicia-se na sementeira, com a semeadura dos porta-enxertos em tubetes de 50 a 120 cm3, preenchidos com substrato recomendado para pequenos recipientes.

Paulo Vitor explica que quando os porta-enxertos atingem entre 10 e 15 cm de altura, são repicados para citropotes ou sacos de polietileno pretos de 4L a 5L. Ao atingirem 6mm a 8mm de diâmetro e 15cm de altura a partir do substrato, devem ser enxertados por borbulhia com a variedade copa.

Tendo sucesso a enxertia, ele ensina que se faz a forçagem da borbulha, conduzindo-a verticalmente, mantendo direção linear ao porta-enxerto. Quando a muda atinge entre 80 a 100 cm de altura, estará pronta para a comercialização. Todo o processo deve ser realizado em ambiente protegido, e as sementes e borbulhas devem ser adquiridas de plantas matrizes certificadas pelo Ministério da Agricultura e Pecuária (MAPA).

Recomendações

Paulo Vitor alerta que, para não cair em ciladas, o comprador deve adquirir mudas somente de viveiristas registrados, e uma maneira de não ser passado para trás é acessar o site do MAPA na internet, ou procurar informações com Secretarias da Agricultura ou Emater da região. “Jamais se deve adquirir mudas de vendedores ambulantes! Inclusive essa atividade é proibida e deve ser denunciada na prefeitura municipal onde estiver ocorrendo esse tipo de comércio”, ressalta.

Vantagens das mudas certificadas

A aquisição de mudas de qualidade permite vários resultados benéficos, como garantia da genética desejada, menores perdas no plantio, maior produtividade, vigor e longevidade das plantas e menor custo de produção com a redução de tratamentos fitossanitários.

Há, ainda, considerável redução de gastos em virtude de menos necessidade de mão de obra com podas e aplicações de produtos, além da redução de custos por não aplicação destes, aliada ao fato de que haverá maiores produtividades por área.

Custo

Segundo Paulo Vitor, a certificação, em si, não significa um custo elevado, mas o sistema de produção sim, pois os maiores gastos estão no investimento com telados, bancadas, sistemas de irrigação, insumos (substratos, fertilizantes, recipientes etc.).

“No Rio Grande do Sul, por exemplo, uma casa de vegetação de 8m x 24 m custa aproximadamente R$ 25.000,00, sem contar bancadas, sistema de irrigação e insumos. Porém, apesar do maior custo inicial, é a única maneira de o viveirista de citros no Brasil ter a certeza de produzir uma muda com toda a garantia sanitária. A céu aberto é praticamente impossível essa realização”, avalia o professor da UFRGS.

O custo da muda logicamente é maior, se comparado a uma muda produzida a céu aberto, mas atualmente há mercado para materiais produzidos em ambiente protegido, pois o citricultor já sabe que vale a pena investir em qualidade.

“O citricultor tem que se dar conta de que uma muda é um investimento, e não um gasto. Se levarmos em consideração todo o custo de implantação de um pomar, as mudas não chegam a 5% desse custo total, portanto é importante adquirir mudas de viveristas idôneos”, enfatiza Paulo Vitor.

Novidades

O Departamento de Horticultura e Silvicultura da Faculdade de Agronomia da UFRGS realiza pesquisas há mais de 12 anos em diversas linhas na produção de mudas de citros em ambiente protegido, e já encontrou sistemas de produção de porta-enxertos mais baratos e eficientes, substratos e sistemas de fertilização adequados às diferentes fases de produção, além de opções de variedades de porta-enxertos visando à diversificação da citricultura brasileira.

As pesquisas seguem na busca de melhorar ainda mais o sistema, reduzindo os preços e aumentando sua eficiência.

Fonte: Revista Campo & Negócios


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