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Notícias > Dezembro 2008

Jornal da Flórida ressalta qualidade da produção brasileira de mudas de citros

Herald Tribune citou viveiro da Citrograf para exemplificar excelência dos viveiros brasileiros


Em Rio Claro, Brasil, trabalhadores uniforminzados cuidam de mudas dentro de um viveiro telado da Citrograf, um dos viveiros mais seguros do mundo.

O jornal da Flórida Herald Tribune, do grupo New York Times, publicou, na edição de 9 de dezembro, uma matéria elogiando a produção de mudas de citros do Brasil e a colocando como uma das principais responsáveis pelo País estar à frente da Flórida na tecnologia de produção de citros.
 
O autor da matéria, o repórter Tom Bayles, tomou como base a Citrograf, no município de Rio Claro, que ele visitou em 2006. Bayles compara as instalações do viveiro a uma fortaleza, com todas as medidas de segurança necessárias para evitar a entrada de inimigos, que no caso são as doenças que atacam os citros, principalmente o cancro cítrico e o greening.

Se você quiser saber por que o Brasil superou a Flórida como o produtor n° 1 de laranja, uma das respostas pode ser encontrada em uma fortaleza de 20 hectares circundada por uma cerca telada de 3 metros de altura com arame farpado no topo e guardada por um robusto portão de aço. A operação é conduzida com a eficiência encontrada em presídios.”, diz a introdução da matéria (veja abaixo a tradução completa da reportagem).

A matéria faz parte de uma série especial sobre agricultura no mundo publicada pelo jornal. O repórter conta a experiência que teve no Brasil e todas as medidas que teve que tomar para entrar no viveiro, como colocar roupa especial, lavar as mãos e utilizar bloco e caneta fornecido pela empresa. Tudo isso para evitar risco de contaminação. “Poucos visitantes têm permissão para entrar na Citrograf (Brasil), um dos maiores e mais seguros viveiros de mudas cítricas do mundo.”, diz no texto.

Bayles destaca que será essa a realidade que os viveiristas da Flórida terão que se adaptar por causa de uma lei de 1° de janeiro de 2007, que determina que produtores de todo o estado produzam mudas em um modo similar ao do Brasil.

A matéria do site traz ainda vídeo e fotos sobre a produção nos viveiros da Citrograf. A matéria original pode ser vista no link: http://www.heraldtribune.com/article/20081209/ARTICLE/812090361/2487?Title=Chapter_3__Model_for_survival

Veja a tradução da reportagem:
O PRENÚNCIO: BRASIL
Capítulo 3: Modelo de sobrevivência

Por: Tom Bayles
Escritor da equipe

Publicado: Terça-feira, 9 de dezembro de 2008 à 1 h.
Modificado anteriormente: Segunda-feira, 8 de dezembro de 2008 às 11h13min.

Rio Claro, Brasil – Se você quiser saber por que o Brasil superou a Flórida como o produtor n° 1 de laranja, uma das respostas pode ser encontrada em uma fortaleza de 20 hectares circundada por uma cerca telada de três metros de altura com arame farpado no topo e guardada por um robusto portão de aço. A operação é conduzida com a eficiência encontrada em presídios. Sinais sonoros avisam quando é hora do almoço e avisam novamente quando é hora de voltar ao trabalho.  Não é permitido a ninguém desviar das regras rigorosas.  A única coisa que falta são as torres de guarda.

Poucos visitantes têm permissão para entrar na Citrograf (Brasil), um dos maiores e mais seguros viveiros de mudas cítricas do mundo.
Os inimigos a se manter afastados são o cancro cítrico e o greening, duas doenças mortais para a árvore, que afligem o Brasil há décadas e dizimaram os viveiros de citros na Flórida.

As 650.000 mudas que crescem aqui estão todas em ambiente fechado, cuidadas pelos mesmos funcionários todos os dias para evitar contaminação cruzada em caso de uma doença penetrar nos quatro hectares de estufas.

Os funcionários trocam suas roupas de todos os dias por uniformes verdes e botas brancas lavados três vezes por semana.  Mãos sãos lavadas em cada uma das entradas com produto desinfetante hospitalar.  Botas são cobertas com substância à base de cobre, própria para a eliminação da bactéria de cancro cítrico, quando se pisa em um recipiente raso coberto com um pó verde claro.

O medo da doença é tão grande que funcionários são proibidos de plantar citros em casa. Fiscalizações são realizadas de forma aleatória, duas vezes por ano, só para ter certeza.

“Nossa idéia é fazer o máximo possível para prevenir a doença, não importando o custo”, disse Christiano Cesar Dibbern Graf, proprietário do viveiro e um homem considerado uma das autoridades da vanguarda brasileira na indústria de mudas.
Para os sofridos produtores da Flórida, essa é sua nova realidade.

Existem cerca de 500 viveiros de mudas cítricas em ambiente fechado no Brasil produzindo cerca de 50 milhões de árvores jovens a cada ano.

Desde 2003, normas estabelecidas pelo governo brasileiro determinam que as mudas devem ser desenvolvidas em ambiente fechado para evitar o contato com cancro cítrico, greening e quatro outras doenças que os produtores americanos ainda não viram, mas já estão se preocupando.

Produtores da Flórida têm lutado contra o cancro desde 1996. O Departamento de Agricultura dos Estados Unidos gastou centenas de milhões de dólares tentando erradicar a doença, principalmente cortando um número enorme de árvores. A tentativa foi abandonada há dois anos e o governo admitiu que o cancro cítrico agora é endêmico.

Graf, um homem de meia idade, curioso e média estatura, é bem respeitado dentro e fora do Brasil. Ele viajou pelo mundo, a regiões produtoras de citros tão distantes quanto a China coletando idéias para seu forte de 2 milhões de dólares e 7 anos de existência – há 15 quilômetros do pomar de laranja mais próximo.

“Todos pensavam, naquele tempo, que éramos loucos por virmos para este lugar porque essa não é uma região tradicional de produção de laranja”, Graf diz através de um intérprete.  “Mas acreditamos que a tendência seja para fazendas mais seguras”.

Proprietários de viveiros se sentiram pressionados a terem mais segurança.
Adentrando o portão, visitantes se encontram em uma guarita com chão de mármore. Computadores que monitoram as condições dentro das estufas se alinham pelas paredes.  Um quadro com laranjas pintadas em grande escala encontra-se pendurado à direita de Graf. As persianas lembram barras em uma cela.

Nada que venha de fora entra. Câmeras, blocos de anotação, lápis.  Nada.
Nem mesmo roupas. Visitantes tentam se acomodar, vestindo somente suas roupas de baixo. Tal qual os funcionários de Graf, eles devem se despir para vestir o equipamento para proteção.  Aqueles que precisam tomar notas recebem lápis e papel aprovados por Graf; fotógrafos, uma câmera digital aprovada por Graf.

O complexo é coberto por pedra britada cinza com faixas de grama ao redor de cada estufa branca.  Construída em meio a uma encosta, cada estrutura é levemente mais baixa que a outra ao norte.

Ferramentas levadas para dentro são mergulhadas em uma solução de amônia quaternária que contém um fungicida, bactericida e desinfetante.

A solução é aspergida em caminhões que vêm para carregar as mudas, apesar dos veículos nunca adentrarem completamente o complexo. Os caminhões são carregados à beira da propriedade ao final do dia de trabalho. Aqueles que fazem o carregamento são dispensados pelo resto do dia para não haver risco de levar cancro ou greening para dentro.

Após o banho e com roupas limpas, eles têm permissão para entrar e começar um novo dia de trabalho na manhã seguinte.

A água é bombeada de um poço a 350 metros de profundidade para assegurar que seja pura e limpa.  Mesmo assim ainda é colocada em processo de osmose reversa para a remoção de sais e contaminantes.
Não é permitido a nenhum visitante entrar em uma estufa que contém as borbulhas, ou seja, o coração de uma nova árvore.
Os mesmos funcionários cuidam da borbulheira todos os dias, e raramente são trocados.

O nível de cuidado não pode ser considerado exagerado: as mudas envasadas são irrigadas em sua base.  A bactéria do cancro gosta de se estabelecer em folhas molhadas.

Até mesmo o local do viveiro foi cuidadosamente escolhido, em solo pobre, de forma que nenhum citricultor pensaria em formar um pomar nas proximidades.
Enquanto colhedores de laranja no Brasil ganham cerca de 3 dólares por dia, Graf tem cerca de 60 funcionários levando para casa um salário médio de 200 dólares trabalhando 44 horas semanais.

“Nós levamos muito a sério”, diz Graf com entendimento.

Graf, que escreveu numerosos artigos científicos sobre seu trabalho, acha que a Flórida e as autoridades americanas para a agricultura erraram quando pararam de destruir pomares infectados pelo cancro depois que os furacões de 2004/05 espalharam a doença de forma incontrolável.

“Preocupa-me muito o fato da Flórida tentar conviver com o cancro. Não é uma boa idéia”, disse Graf. “Conviver com o problema não vai funcionar. Eles precisam erradicá-lo. Precisam retomar o que estavam fazendo antes”.

No Brasil, se uma árvore infectada por cancro é encontrada, todas as árvores num raio de 30 metros – cerca de 1.000 árvores - são destruídas.  Se há mais árvores infectadas na mesma área, o talhão inteiro é queimado.

Árvores infectadas por cancro produzem menos frutos e demandam mais cuidados e produtos químicos caros para se manterem viáveis.

Dia 1° de janeiro de 2007 foi um divisor de águas para os viveiros de mudas cítricas da Flórida.  A partir desse dia, produtores de todo o estado tiveram que produzir árvores de reposição em um modo similar ao de Graf no Brasil.


A Southern Gardens Citrus da cidade Clewiston foi uma das primeiras a tomar a iniciativa, antes mesmo de a mudança ser determinada.  No verão de 2006, adquiriu um terreno próximo a Trenton, no condado de Gilchrist – há 40 quilômetros de Gainesville e, tal qual a operação de Graf, longe de qualquer pomar comercial.

“Quando começamos a considerar as questões do cancro e do greening, todo meu entendimento e minha convicção eram de que precisávamos fazer exatamente o que eles fizeram no Brasil”, disse Jim Snively, vice-presidente da Southern Gardens para operações de campo.  “O Brasil foi definitivamente a inspiração”.

Cravado em um bosque, o multimilionário viveiro da Southern Gardens tem aproximadamente 0,5 hectare de mudas crescendo em cinco estufas.  Do momento em que uma semente é plantada até sair 14 meses mais tarde como uma árvore jovem de 60 centímetros de altura, nada é feito fora da cobertura do abrigo.  Todo o trabalho – transportar para um pote de 4 polegadas, enxertar, fertilizar – é feito em ambiente fechado, exatamente como no Brasil.

Em outra seção do complexo – também inteiramente protegida – a Southern Gardens desenvolve a borbulha, que quando transplantada para a base da nova planta, determinará qual variedade a muda vai finalmente se tornar.
A Southern Gardens produz 275.000 mudas de cada vez, a maioria destinada para os três pomares da empresa no condado de Hendry.

As pequenas mudas estão em alta demanda.  Nos pomares da empresa há espaço para 4 milhões de árvores, mas têm somente 2,2 milhões por causa de todo o estrago causado pelo greening e o cancro.

O trabalho feito em Trenton é só um dos 42 que tiveram que ser desenvolvidos em resposta à nova lei e que produziram 3,5 milhões de plantas jovens de citros este ano.

Snively reconhece a forma contraditória com que pessoas, às escondidas, ainda produzem em campo aberto, mas ele sabe que, de vários modos, o futuro da indústria depende do sucesso deles.

“É um pouco diferente ficar em local fechado o tempo todo”.

Essa história aparece impressa na página A1



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