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Notícias > Dezembro 2008

China luta contra o greening e se prepara para aumentar a produção de citros

Mesmo com o crescimento da citricultura local,
país vai depender de importação



A China, o mais antigo e um dos maiores produtores de citros do mundo, está investindo no controle do greening com o objetivo de aumentar a produção para atender a crescente demanda. Um dos focos do país é aumentar a produção de mudas certificadas e em viveiros telados.

No 8º Congresso Internacional de Viveiristas de Citros, realizado no mês passado, os chineses – anfitriões do evento – apresentaram suas intenções e buscaram modelos, principalmente no Brasil, que tem o melhor e maior sistema de produção de mudas teladas do mundo.

A demanda da citricultura chinesa é por 40 milhões de mudas por ano. A produção em ambiente protegido ainda é incipiente, com plantio em containers e sacolas, ou mesmo no chão, cobertos por um telado. Há a predominância das mudas de chão a céu aberto.

Os porta-enxertos mais utilizados são: Poncirus trifoliata, tangerina Sunki e Goutoucheng (híbrido de laranja azeda). As variedades de copa mais utilizadas encontram-se as tradicionais tangerinas e variedades locais além da propagação de materiais introduzidos dos USA, Espanha, Austrália e diversos outros países.

Entre os temas do encontro, que reuniu 230 participantes de 18 países, além de representantes das 20 províncias produtoras de citros da China, estavam a construção de viveiros, controle de pragas e doenças, novas variedades de copas e porta-enxertos, manejo e gestão de viveiros e certificação de plantas.

De acordo com o viveirista brasileiro Cesar Graf, convidado pela organização do Congresso para ser um dos palestrantes, os produtores locais estão aumentando o plantio na região central do país, onde não há greening. Das 20 províncias produtoras, 11 têm a doença, algumas há mais de 100 anos. A gravidade da incidência tem relação direta com a maior ou menor presença do psilídeo Diaphorina citri, transmissor do greening.

“Em áreas onde há a doença, os investimentos dos produtores e do governo têm resultado no controle. Na província de Guangxi, importante produtora de citros, a incidência de greening reduziu de 3,9% para 2,16% com um pacote de medidas semelhante ao aplicado no Estado de São Paulo: controle do psilídeo, remoção de plantas doentes e o plantio de mudas sadias”, conta Graf.

O governo chinês está investindo em treinamento dos produtores e em publicidade sobre a doença. No caso de Guangxi, o Estado faz aplicações a termonebulização para controlar o psilídeo e o produtor paga por hectare tratado.

Há um Fundo Especial para o Controle do HLB. O país tem investido em estrutura e incentivado a pesquisa. Existem estações quarentenárias para introdução de novos materiais, investimentos em limpeza e preservação de material genético, melhoramento genético e um grande banco ativo de germoplasma. O governo também é responsável por um bom programa de certificação de plantas matrizes e borbulheiras e o estímulo à construção de viveiros protegidos.

A China tem 1,8 milhões de hectares plantados com citros – mais de duas vezes a área plantada de citros no Brasil que tem 800 mil hectares. A produtividade, porém, é pouco eficiente: 18 milhões de toneladas, ou seja, 10 toneladas por hectare, menos da metade da paulista. Voltada para o mercado de fruta fresca, o plantio é dividido em tangerinas (72%), laranjas (13%) e outros tipos de citros como pomelos e Kunquat - também conhecida como Kinkan - (15%). A produção é quase toda consumida internamente e uma pequena parte é comercializada com os países asiáticos vizinhos e sul da Rússia. <

Mesmo com todo o investimento no aumento do plantio – em 2020, a produção deverá ter aumentado 17% em relação a 2007 - as expectativas são de que a demanda interna deverá ser 10% superior a produção em 2010 e 18% superior em 2020. A diferença deverá ser suprida pela importação de suco.

César Graf

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