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Notícias > Janeiro 2008

Encontrado novo organismo causador do greening

Controle com inspeções rotineiras e exigência de mudas certificadas são medidas indispensáveis para manter a sanidade do pomar.

Representantes da Vivecitrus participaram no dia 10 de outubro de uma reunião em que o Fundecitrus (Fundo de Defesa da Citricultura) anunciou a representantes do setor citrícola a descoberta de um novo organismo que provoca os sintomas do greening em citros.

Trata-se de um fitoplasma, uma bactéria sem parede celular. É a primeira vez no mundo que se observa a relação de uma bactéria e de um fitoplasma com a mesma doença. O organismo era mais conhecido por estar associado a outras doenças de citros, como a vassoura de bruxa, que ataca o limão galego.

A descoberta saiu dos laboratórios do Fundecitrus, com o auxílio dos fitopatologistas Joseph Marie Bové, do Instituto Nacional de Pesquisa Agronômica da França (INRA) e Ellioti Kitajima, coordenador do laboratório de microbiologia da Escola Superior de Agronomia Luiz de Queiroz (Esalq/USP).

As pesquisas foram iniciadas em fevereiro. Amostras de plantas suspeitas de estarem infectadas com o greening chegaram ao Centro de Diagnósticos de Pragas e Doenças de Citros do Fundecitrus e deixaram em alerta os pesquisadores da entidade: embora os sintomas fossem visíveis e típicos, a presença das bactérias Candidatus Liberibacter, tanto americana quanto asiática (os dois tipos existentes no Brasil), era negativa nos exames de confirmação.

“Não entendíamos porque os resultados dos exames de DNA eram negativos, se as plantas apresentavam todos os sintomas de greening, como folhas mosqueadas e frutos irregulares”, diz a pesquisadora do Fundecitrus, Diva Teixeira, que conduziu os estudos.

A confirmação da influência do fitoplasma nas plantas contaminadas ocorreu após seis meses de pesquisa. Foi detectado em 16 municípios do Estado, localizados principalmente nas regiões norte e noroeste. Em oito deles não havia registro da presença do Candidatus Liberibacter, o que elevou para 139 o número de municípios com focos de greening no Estado.

Segundo o presidente da Vivecitrus, Marcelo Soares de Almeida, a notícia não agrada, mas não deve abalar a citricultura se os produtores continuarem o combate à doença. “As inspeções têm que ser constantes, no mínimo seis vezes ao ano, e com utilização de plataforma para se ter uma visão mais ampla dos ramos das plantas e controle semanal do psilídeo”, expõe Almeida, que reforça a importância da procedência das mudas – o produtor deve exigir a documentação viveirista para ter certeza da idoneidade.

Segundo Diva Teixeira, com o uso do PCR, método de reconhecimento e identificação da maioria das bactérias conhecidas, é possível afirmar se uma planta foi afetada pelo greening ou não. Com o aparecimento do fitoplasma, os cientistas elaboraram um novo PCR que agora será aplicado junto com as outras duas reações da bactéria Candidatus Liberibacter.

O próximo passo da pesquisa é entender como o fitoplasma atua na planta. Também não se sabe ainda se o inseto vetor desse novo organismo é o mesmo psílideo transmissor da bactéria Candidatus Liberibacter.

Christiano César Dibber Graf
Eng. Agrônomo
Diretor CITROGRAF
Vice-presidente Vivecitrus

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