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Notícias > Junho 2007

Tangerina: tendência de queda na oferta e alta de preços

O número de novos pés de tangerina ponkan nos pomares paulistas diminuiu 50% no período entre 2001 e 2006, saindo de 600 mil para 300 mil pés, segundo dados do Instituto de Economia Agrícola (IEA).

No período, a produção também decresceu 20% e passou de 12 milhões de caixas para 9,6 milhões.

Os pés em produção caíram na mesma proporção, de cinco milhões para quatro milhões. Avaliando esses dados, a equipe citros do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada da Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz (Cepea/Esalq/USP) conclui que a oferta deverá ser menor nos próximos anos, melhorando os preços pagos aos produtores.

A ponkan puxou para baixo a produção estadual de tangerinas: foram 17 milhões de caixas no total, 12% menos na comparação com 2001. As árvores em produção foram 15% menos e, as novas, 39%.

A murcot - segunda mais importante em produção no estado, com 4,8 milhões de caixas produzidas em 2006 - também deverá sofrer redução no longo prazo. Embora tenha tido acréscimo de produção no período (+26%, de 3,8 milhões de caixas para 4,8 milhões) e a quantidade de pés em produção tenha sido incrementada em 27% (de 1,5 milhões para 1,9 milhões), os investimentos em plantas novas diminuíram 24%, indo dos 340 mil para os 260 mil pés.

As variedades satsuma, cravo e mexerica do rio somaram 28% menos de 2001 a 2006 (de 3,8 milhões de caixas para 2,8 milhões). Os pés em produção saíram dos 1,6 milhões para os 1,1 milhões (-31%) e os novos caíram 18% (de 170 mil para 140 mil pés).

O menor interesse da indústria de suco em absorver e processar o produto a partir de 1999, coincidindo com colheitas recordes de laranja e o fato de esta fruta ter rendimento superior, foi um dos fatores que contribuíram para os menores investimentos dos produtores na tangerina.

Alguns contratos incluem uma variedade que ainda é aceita, a murcote. A desvalorização do dólar frente ao real, que inibe as exportações, também pode ser responsabilizada pela situação.

Os citricultores se dividem entre os que acham difícil esse mercado e não crêem em recuperação, e aqueles que deverão apostar em outras variedades além das tradicionais. Dentre elas, duas desenvolvidas pelo IAC recentemente: a tangelo ortanique e tangerina nova, cujo diferencial de preços ainda não foi avaliado pelos pesquisadores porque poucos pomares estão em produção.

Essa diversificação de variedades ainda tem um efeito pequeno no mercado. Os picos de colheita ainda devem pressionar os valores das tangerinas, com destaque para a ponkan, e que a comercialização fora do pico de safra pode ser uma saída. No caso da ponkan, principalmente antes de maio.

O calendário de colheita das tangerinas é similar ao de outros estados, começando com a ponkan (abril) e terminando com a murcote (agosto).

A região sudeste é a principal produtora da fruta, especialmente os municípios paulistas de Socorro, Pilar do Sul e São Miguel Arcanjo. Quanto aos estados, Paraná, Rio Grande do Sul e Minas Gerais vêm atrás de São Paulo no ranking.

Apesar da queda dos últimos anos, no entanto, individualmente, é difícil que eles ultrapassem os paulistas. Mas, em conjunto, já o fizeram.

O Brasil também importa tangerinas no período de entressafra, principalmente do Uruguai, mas uma quantidade marginal. As exportações somaram US$ 5,7 milhões em 2006, 15% menos que os US$ 6,7 milhões de 2001. Em volume, a queda atingiu 38% (10,7 mil toneladas contra 17,3 mil).

Os principais compradores do período foram os países participantes do Nafta - Canadá, Estados Unidos e México - (30%), União Européia (21%) e Ásia (33%).


Fontes: IEA e Cepea/Esalq/USP.

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