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Notícias > Março 2007

Suco: mercado doméstico e internacional sofre mudanças

Não há, este ano, os rumores habituais a respeito do volume da próxima safra, 2007/2008, que começa oficialmente em julho, mas, na prática, um pouco antes. Em abril, o Instituto de Economia Agrícola (IEA), da Secretaria da Agricultura do Estado de São Paulo, divulgará sua primeira estimativa.

Até lá, nem mesmo os rumores habituais estarão disponíveis. As razões: mudanças no ambiente de negócios, alterações climáticas, geográficas, mercadológicas, afetando a atividade tanto na cadeia produtiva agrícola como na industrial.

Algumas características climáticas são circunstanciais, como o excesso de chuvas, mas outras permanentes, como frutos do explosivo aquecimento do planeta que finalmente a sociedade global parece se dar conta e que vieram para ficar, agravando-se continuamente.

A cadeia produtiva agrícola resolveu proteger-se melhor contra pragas e doenças, após o advento do greening, investindo fortemente em áreas novas, menos suscetíveis, ao sul do estado de São Paulo, com pomares irrigados e de alta produtividade. O mesmo está ocorrendo no Triângulo Mineiro, onde citricultores e o governo de Minas Gerais estabeleceram uma inteligente parceria para estender linhas de transmissão de energia elétrica, permitindo a irrigação em grandes fazendas - antes improdutivas, vítimas de outra doença, a morte súbita dos citros.

O aproveitamento dessas áreas exige irrigação, pois os porta-enxertos resistentes à doença não possuem a mesma eficiência hídrica dos anteriores.

A soma desses eventos está no plantio anual de cerca de 18 milhões de mudas produzidas em viveiros telados e de acordo com a mais moderna tecnologia de proteção sanitária e de cultivo. Esse plantio é o melhor atestado que se pode pedir do dinamismo e disposição deste setor.

Novos pólos de produção de laranjas estão nascendo na Bahia, Sergipe, Santa Catarina e Paraná, alicerçados em acordos operacionais de diversas naturezas entre indústrias paulistas, que detém a logística e o conhecimento exportador. Essas processadoras, pequenas, limitadas em sua expansão por falta de tecnologia e mercado, passaram a dispor de ambos por meio dessas parcerias.

O efeito foi imediato na cadeia produtiva agrícola. Garantido o escoamento da produção, a área agrícola está se expandindo, em muitos casos com investimento e práticas de citricultores paulistas.

Essa mudança tecnológica e regional iniciada há cinco anos já consumiu estimados US$ 3 bilhões em investimentos privados e outros tantos serão gastos até que se complete, no fim da presente década. Isto, se até lá não se resolver investir nas áreas irrigadas do Vale do São Francisco, cujo potencial de produção está sendo avaliado.

Em paralelo, mas não menos importante, extensas áreas estão sendo plantadas no México, China, Índia, Costa Rica e em outros locais, aproveitando-se de subsídios e acordos regionais de comércio que o Brasil não dispõe, forçando-nos a ser ainda mais eficientes e competitivos para manter a presença brasileira no mercado mundial de suco de laranja.

Novas oportunidades de mercado surgem com a modernização do comércio mundial de sucos de frutas, apoiadas na vertente dos alimentos saudáveis, nas campanhas contra a obesidade e nas características favoráveis desses produtos.

Num universo mutante a indústria processadora vê oportunidades e ameaças que cabe aproveitar e evitar, conforme seja o caso. Mas é isto que ela tem feito desde seu início, nos anos 1960, e que continuará fazendo.

A propósito, este ano a associada Sucocítrico Cutrale comemora 65 anos no negócio de citros e 40 anos no processamento de laranjas.

Uma empresa familiar, em sua terceira geração, para quem os desafios não são novos e o horizonte, sempre mutante, abriga dificuldades e oportunidades, nem sempre em doses iguais, mas sempre estimulantes.

Fonte: Ademerval Garcia - Presidente da Abecitrus.



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