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Notícias > Novembro 2006

Oferta de laranja deve crescer somente em 3 anos no Brasil

O Brasil é o maior produtor mundial de laranja para uso industrial, produz mais da metade do suco congelado e concentrado (FCOJ na sigla em inglês) do mundo e suas vendas respondem por mais de 80% do comércio internacional desse produto, mas o setor citrícola nacional tem na oferta de matéria-prima o grande desafio.

Evidentemente que, com os preços maiores que estão ocorrendo agora, vai haver um investimento em pomares novos, além da renovação. No curto prazo, entretanto, não deve haver expansão da produção, mas somente em cerca de três anos, segundo o diretor de Finanças e Administração da Cutrale, José Cervato. Recentemente, os futuros de FCOJ da bolsa de Nova York atingiram os maiores valores em 16 anos, em função da queda na produção da Flórida após furacões.

A Cutrale produz cerca de um terço do FCOJ que o Brasil exporta, um volume na casa de 1,3 a 1,4 milhão de toneladas. O esperado aumento da produção brasileira estará ligado à melhor remuneração do produtor. Segundo ele, com a elevação do preço da commodity, os contratos firmados agora entre produtores e indústrias estão acima de US$ 5,00 por caixa de 40,8 Kg de laranja, contra US$ 3,00 a US$ 3,50 por caixa de 40,8 Kg no ano passado, e há um acordo para melhorar a remuneração daqueles com contratos anteriores à valorização do real e das cotações. Além disso, as próprias indústrias estão abrindo novas áreas, principalmente no sul do Estado de São Paulo.

A produção de laranja de São Paulo, que produz cerca de 80% da fruta utilizada pela indústria no Brasil, está oficialmente estimada em 352 milhões de caixas, praticamente o mesmo volume da temporada passada.

O diretor da Cutrale concordou com o número do Estado para a safra 2006/2007 (ano industrial), cujo pico da colheita é atingido justamente em outubro, mas advertiu que a produção no período anterior (2005/2006) foi 10% menor.

Para o ano industrial 2007/2008, apesar da boa florada, ainda é difícil fazer prognósticos, embora a Cutrale considere que dificilmente haverá uma produção maior de laranja. A safra poderá ser, no máximo, igual. Quando uma safra é muito grande, pode-se dizer que no ano seguinte a produção cai.

A laranja, tal como café tem ciclos de alta e baixa produção. Mas como a atual safra 2006/2007 não foi muito alta, no ano que vem pode ser que seja similar, segundo Cervato.

Mais de 90% da laranja processada pela Cutrale nas 5 fábricas em São Paulo é cultivada em pomares paulistas. Entre 7% a 8% da fruta é proveniente de Minas Gerais. Mais de dois terços da fruta vêm de terceirizados, sendo a outra parte colhida nas 40 fazendas da empresa.

O regime hídrico menos favorável do centro-norte de São Paulo, tradicional região produtora de laranja, e a incidência maior de doenças em pomares dessa região muitas vezes exauridos, estão empurrando as plantações para o sul do Estado. Além disso, a nova região citrícola, onde existem grandes áreas de pastagens, sofre menos a pressão da cana-de-açúcar, que avança no norte após o boom do álcool combustível.

Na área sulista, onde os pomares já são formados com plantas sadias e chove mais do que no norte, agora estão 55% das lavouras paulistas, em uma inversão em relação ao índice registrado no ano 2000.

Sem irrigação, do ponto de vista estratégico, não se deve plantar mais nenhum pé de laranja no norte, segundo Cervato, lembrando que a região tem sofrido mais com a seca. No centro-norte do Estado, ele estima que seriam necessários investimentos em irrigação de cerca de até US$ 300 milhões, mas lembrou que isso também esbarra na insuficiente disponibilidade de água, o que só torna o sul mais atrativo.

Uma árvore irrigada produz 3,5 caixas de laranja, enquanto uma não-irrigada dá apenas 2 caixas.

Para Cervato, não há problemas pelo fato de o sul ter uma temperatura mais amena e resultar em uma fruta com menor teor de açúcar. Evidentemente, não pode ir toda a laranja do norte para o sul, o ideal é ter uma distribuição, segundo ele, lembrando que a indústria conta com isso para fazer o blend. No entanto, os mercados em franca expansão, como a China, consomem tradicionalmente uma laranja mais azeda, o que também permitirá ao setor um maior uso dessas variedades produzidas no sul do Estado.

 

Fonte: Carlos Cogo



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