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Notícias > Novembro 2006

Laranja busca novas fronteiras

A área ocupada pela citricultura no estado de São Paulo não está diminuindo, nem está sendo invadida pela cana, segundo levantamento feito pelo Fundo de Defesa da Citricultura (Fundecitrus). Ao contrário do que se pensa, a superfície cultivada está estável. O que mudou foi a região plantada. A citricultura paulista passou do Norte para o Sul do estado.

O presidente do Fundecitrus, Osmar Bergamaschi, explica que o volume de oferta de mudas nos viveiros paulistas (em torno de 13,5 milhões de plantas nos últimos anos) comprova a estabilidade da população de laranjeiras no estado. "É uma garantia de que a renovação dos pomares está sendo mantida, o que garante produção e oferta até maior da fruta no estado", acrescenta.

Doenças

Pragas, baixa produtividade e falta de recursos "empurraram" os pomares para o Sul do estado de São Paulo, explicou o pesquisador Artur Antônio Ghilardi, do Centro de Citricultura do Instituto Agronômico de Campinas (IAC). A mudança no mapa da citricultura do estado, com o recuo do plantio nas regiões de Araraquara e Bebedouro, e sua ocupação pela cana-de-açúcar; e o deslocamento para as regiões de Avaré e Sorocaba foram provocadas pela descapitalização dos produtores, pelo desalento e em função dos baixos preços pagos pela indústria de suco aos produtores e pela proliferação de doenças cujos controle tornou-se oneroso e dependente de tecnologia sofisticada.

A alteração, usada como argumento pelos citricultores que discutem reajustes de preços para a laranja (veja box acima), não é nova. É observada desde a safra de 1998/99, quando se acumularam excedentes de suco e os preços no mercado internacional caíram pela metade.

O deslocamento dos pomares de laranja para áreas distantes das regiões mais contaminadas pelas pragas típicas da cultura contribui para melhorar a produtividade do setor, acredita o presidente do Fundecitrus. Bergamaschi afirma que novas culturas incorporam mais tecnologia e estão localizadas em regiões onde as terras são significativamente mais baratas do nas zonas tradicionais de produção. Os novos pomares são formados de acordo com as recomendações técnicas, o que inclui um baixo espaçamento das plantas e rígidas novas fito-sanitárias.

Segundo o presidente do Fundecitrus, a nova citricultura ocupa áreas de pastos degradadas, com bons resultados. Mas, para o citricultor Marco Antônio dos Santos, de Limeira, os produtores que partiram para o Sul do estado não deverão obter os mesmos resultados que os que exploram a atividade nas regiões tradicionais. "Além de estarem dis-tantes das indústrias, os citricultores que estão no Sul não obtêm frutas com mesma qualidade do que no Norte do estado". Para Santos, as frutas são mais ácidas de falta coloração às laranjas.

Bergamaschi não considera essas características da fruta como defeito. "A indústria precisa de frutas com diferentes níveis de acidez e de açúcar para preparar o blend que atende ao paladar dos consumidores.

 

Fonte: Gazeta Mercantil



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